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  • Juliana Andriani

Perda precoce de incisivo decíduo, tudo que você precisa saber para escolha do mantenedor de espaço

Atualizado: Fev 22

Normalmente a perda precoce de um incisivo decíduo é decorrente do trauma, certo? Podendo ser decorrente da avulsão, extração por complicações ocasionadas pelo trauma ou mesmo esfoliação precoce em virtude da reabsorção radicular acelerada.

Portanto, se você atende crianças, você precisa estar seguro em relação à instalação ou não do mantenedor de espaço, já que diante da avulsão, esse vai ser um dos questionamentos dos pais ainda na consulta de urgência.


Então o que você deve saber para decidir se deve ou não instalar um mantenedor de espaço diante da perda precoce de um dente decíduo na região anterior? Holan G e Needlemand H1 publicaram uma revisão na Dental Traumatology abordando alguns aspectos interessantes:


Perda de espaço: será que realmente a perda de um dente decíduo na região anterior implica em perda de espaço no arco?


Não há muita evidência na literatura em relação a perda de espaço na região anterior, mas o que podemos nos questionar é que se normalmente não temos ponto de contato entre os dentes decíduos na região anterior (no caso dos arcos tipo I de Baume) será que a manutenção deste espaço é realmente necessária?

Temos poucos trabalhos na literatura e eu pelo menos não encontrei nenhum baseado em estudo clínico randomizado, sendo que a grande maioria se restringe a relatos de caso ou opiniões de expert.

Diante da perda precoce do incisivo decíduo, o que podemos encontrar na clínica eventualmente é inclinação dos dentes adjacentes à perda, mas dificilmente esta irá implicar em perda de espaço na base alveolar que comprometa a irrupção dos dentes permanentes.

McGregor SA2 sugere ainda que a perda de espaço pode ocorrer quando a perda precoce do incisivo ocorrer antes da irrupção do canino, ou seja, em crianças de até 2 anos de idade aproximadamente, sendo que a avulsão é mais comum em pacientes entre 2 e 4 anos1, onde normalmente esta perda de espaço é pouco significativa ou inexistente.

Concluindo todo essa conversa, a manutenção de espaço na região anterior da dentição decídua não se justifica pela manutenção do perímetro do arco.


Estética: será que crianças até 5 anos tem queixa estética em relação à falta de dentes?


Estudos que avaliam o impacto na qualidade de vida da criança mostram que a perda do dente na região anterior não traz impacto negativo na qualidade de vida, normalmente o impacto ocorre em relação aos pais.

Temos que lembrar que crianças até 3 anos de idade dificilmente possuem percepção estética em relação ao meio, a percepção de feio ou bonito esta mais relaciona aos pais do que à criança.

Além do que, perto dos 5 anos, alguns amigos já irão apresentar esfoliação do incisivo decíduo no arco superior e a ausência do dente será considerada como algo normal perante o meio que a criança está inserida.

Concluindo esse outro ponto da nossa conversa, aqui cabe ao profissional perceber as características individuais de cada criança e cada família e o tempo de esfoliação estimado do dente perdido para assim definir a melhor conduta, em alguns casos reabilitar a estética será importante para criança e em outros não.


Leia também: Expansão da maxila: como aproveitar seus benefícios no tratamento do paciente Classe II.


Alterações de fala


Aqui também temos poucos trabalhos na literatura, porém de maneira geral, observa-se que as alterações de fala decorrentes da perda precoce de incisivos decíduos não são comuns ou se mostram transitórias.

Concluindo então mais este ponto do nosso checklist, não se justifica a instalação de mantenedor na região anterior somente pela possível alteração de fala.

A revisão de Holan G e Needlemand H também citam desenvolvimento de hábitos orais decorrentes da perda e dificuldade de mastigação como fatores pouco conclusivos e que normalmente não são observados de forma significativa clinicamente.

Então o que podemos concluir depois de tudo isso?

Podemos concluir que a maior justificativa para instalação de mantenedor de espaço na região anterior está baseada na percepção estética da criança e da família em relação a perda do dente. E aí passamos a ter subjetividade nesta indicação onde a avaliação de cada profissional diante do contexto de cada caso irá determinar a conduta clínica adequada.

Criança com mantenedor de espaço estético na região anterior.


Referências: Holan G and Needleman H. Premature loss of primary anterior teeth due to trauma – potential short and log- term sequelae. Dental Traumatology. 2014, 30:100-106.

MacGregor SA. A when and where formula for space maintenance.Can Dent Assoc 1964;30:683–96.


Também fiz um quadro com os tipos de mantenedores do espaço e suas indicações, para baixar só precisa preencher o formulário abaixo!

Por Juliana Pereira Andriani.



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